Sandra Lemmos Coluna literária LCB



         O súbito e justamente
 De forma inesperada, acordamos numa manhã de céu claro e sol brilhante,
o calor ainda aquecia nossos corpos inocentes, que despertavam sem saber ...que já estavam encapsulados por uma brisa que vinha do oriente, trazendo o terror e o encarceramento, para as nossas vidas tão indisciplinadas e viris.
A humanidade, com raras exceções, passa por uma adequação ao encarceramento, à insegurança que o desconhecido traz. ..
 Nossas  estruturas -crenças, verdades e segurança - foram completamente abaladas.  Foi colocado em questão quem somos nós?
 o que sabemos e podemos; mais do que isso, nossa fragilidade emergiu e ficamos de frente com a efemeridade de nossa existência.
 O que fazer,  se não podemos coincidir com esse real e não conseguimos transferir nossos anseios para o plano da metafísica? Na era da tecnologia, à margem da terceira revolução industrial, os governos se dão conta de que não investiram na ciência em prol da humanidade. 
  Todos olharam para o céu, em busca de novos territórios a explorar, para o fundo do mar em busca de combustíveis fósseis,  construíram bombas para garantir o poder.  E o ser humano? Esse, há décadas morre de fome nos países de terceiro mundo, padece de malária, sarampo, câncer, Hiv, cólera e se reproduz indiscriminadamente, como se a Terra fosse um bem interminável. 
 O que vamos apreender desse evento catastrófico, ainda é um vir a ser. E a literatura, como um espelho do pensamento humano, vai incorporar nas suas narrativas toda desconstrução que um ínfimo vírus letal criou.  Alguns subgêneros literários como a ficção científica e o terror, envoltos nessa névoa de um  movimento entrópico, devem ganhar destaque nesse período, não mais como uma literatura que abarca uma total fantasia, mas um espaço em que distopias tangenciam o imaginário.   A virtualização da comunicação, das relações pessoais, sociais e de meios de produção e comercialização devem acelerar o processo de virtualização no qual a literatura já havia ingressado. A questão que levantamos aqui é: Como as novas formas de apreensão e construção de mundo vão afetar as formas do narrar, em meio a uma crise de sentido?

                                                                                           Sandra Lemmos




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