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Coluna literária 2º Artigo



            O amor e suas formas na Literatura

                  “Senhores, agrada-vos ouvir uma bela história de amor?”
 Nada agrada mais do que uma história de amor, assim como nada nos intriga mais do que a morte. Foi explorando essa temática que o gênero romanesco  surge, se mantém durante séculos e atinge seu ápice no século XX. Todos os gêneros literários se dedicaram ao amor, ele está em toda narrativa humana, pois esse repercute o melhor e o pior do ser humano, no entanto, o romance fez do universo do amor sua principal artéria, a ponto de se confundir, em algumas línguas latinas, o tema com o gênero. O amor, no ocidente, foi idealizado a tal ponto que passou a ser uma aspiração para a vida, é um artifício de retórica  tão profundo e sagaz que se perpetua, em todas as suas formas, nos fascina; ele está em nossas canções, em nossas poesias, está no discurso humano. De acordo com Rougemont, “o entusiasmo que mostramos pelo romance, pelo erotismo idealizado, está difundido em nossa cultura, em nossa educação, nas imagens que compõem o cenário de nossas vidas.” Tudo em nossa cultura glorifica o amor e suas implicações, ágape e eros, e o considera uma promessa de vida. No interstício do que chamamos de amor está ágape, a compaixão, querer o bem do outro, está o amor idealizado, aquele que quer o outro para si e está eros, a negação de si e do outro. A literatura revela  o mundo dos indivíduos e a forma como estes expressam seus sentimentos e pensamentos. Durante séculos, só foi permitido revelar o amor idealizado e o amor ágape, pois a experiência do erotismo, como experiência interior, foi rebaixada, encapsulada. Com a secularização, abre-se um precedente para a revelação do eros, mostrando que a paixão, o impulso erótico, o desejo, o delírio, o desequilíbrio, a perda de si, são aspectos naturais, não uma disruptura da personalidade. A literatura contemporânea revela um individuo multifacetado, que vive sentimentos divergentes e convergentes, em que coexistem amor idealizado, ágape e eros. A experiência humana é um fenômeno da multiplicidade. O amor e seus diferentes aspectos tornam-se um manifesto literário, carregam a problemática do início e do fim. A literatura revela a busca do ser humano, um sentido para sua existência, por isso encanta. 
                                                                                                     Sandra Lemos                

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